domingo, 6 de junho de 2010

O BOI

Ó solidão do boi no campo,
ó solidão do homen na rua!
Entre carros, trens, telefones,
Entre gritos, o ermo profundo.

Ó solidão do boi no campo,
Ó milhões sofrendo sem praga!
Se há noite ou sol, é indiferente,
A escuridão rompe com o dia.

Ó solidão do boi no campo,
Homens torcendo-se calados!
A cidade é inexplicável
E as casas não têm sentido algum.

Ó solidão do boi no campo!
O navio-fantasma passa
Em silêncio na rua cheia.
Se uma tempestade de amor caísse!
As mãos unidas, a vida salva...
Mas o tempo é firme. O boi é só.
No campo imenso a torre de petróleo. 

Carlos Drummond de Andrade

8 comentários:

direitinho disse...

O poeta compara a solidão do boi nos campos com as torres do petróleo.
Imagem bem conseguida pois os fins são apenas o lucro rápido.
Um abraço e votos de uma boa semana.

Dora Regina disse...

Que bom vir aqui e ler um poema tão bonito, você escolheu muito bem.
Tenha uma feliz semana!
Um abraço!

LOURO disse...

Olá Eduardo!
Muito boa postagem...Boa escolha lindo o poema de Carlos Drummond de Andrade...Gostei!!!

Abraço,
Lourenço

Sonhadora disse...

Meu querido Eduardo
Lindo este poema, adorei.

Beijinhos
Sonhadora

Agulheta disse...

Amigo Eduardo! Adorei o poema de Drommund,este está tão real,e bem actual a vida moderna.
Beijinho e boa semana

M@ria disse...

Tem selinho aqui prá voce.

"Prá Frente Brasil!!!!!

Venha buscar o seu.
SAUDAÇÕES BRASILEIRA! M@RIA

Luis disse...

Amigo Eduardo,
Hoje fugiu ao mar e trouxe a solidão do boi no campo em paralelo com a solidão do homem inserido no mundo actual onde ninguém se conhece e não há entreajuda! É o salve-se quem puder e cada um por si!!!
Prefiro mar e a paz que ele nos transmite!!!
Um abraço amigo.

RETIRO do ÉDEN disse...

Palavras bem escolhidas para a comparação perfeita.
Fotos muito belas.
Abraço
Mer