segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

ALEGORIA

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Em vão busco acender um diálogo contigo:
a alma sem tom da tua boca de água e vento
despede cinza, névoa e tempo no que digo,
devolve ao chão o meu mais longo pensamento,

e entre cactos estira esse deserto ambíguo
que vem da tua altura ao vale onde me ausento,
procurando o teu verbo. O silêncio, investigo-o,
e ouço o naufrágio, o vácuo e o deperecimento.

Sonho: desces a mim de um céu de algas e rosas,
falas às minhas mãos vozes vertiginosas,
e palavras de flor no teu cabelo enastro.

Desperto: pairas ainda em silêncio e infinita:
meu ser horizontal chora treva e medita
tua distância, teu fulgor, teu ritmo de astro.

Abgar Renault

5 comentários:

Sandra Ribeiro disse...

Viajei nas palavras e nas imagens!
Ha tempos eu não via foto de cactus tão bonitos assim...
Não lembro se já falei isso, mas que linda familia você tem...

Ana Cristina Cattete Quevedo disse...

O silencio do deserto é o melhor lugar para se ouvir o coração.

Beijo e bom dia

=)

Maysha disse...

Lindo o poema, assim como as imagens.
Beijo

RETIRO do ÉDEN disse...

Tudo muito bonito por aqui.
Fotos e poema escolhido.
Forte abraço
Mer

Sônia Silvino disse...

Espaço lindo que toca o nosso coração!
Bjkas!