quarta-feira, 5 de maio de 2010

VENHO DE LONGE

Venho de longe, trago o pensamento
Banhado em velhos sais e maresias;
Arrasto velas rotas pelo vento
E mastros carregados de agonias.

Provenho desses mares esquecidos
Nos roteiros de há muito abandonados
E trago na retina diluídos
Os misteriosos portos não tocados.

Retenho dentro da alma, preso à quilha
Todo um mar de sargaços e de vozes,
E ainda procuro no horizonte a ilha

Onde sonham morrer os albatrozes...
Venho de longe a contornar a esmo,
O cabo das tormentas de mim mesmo.


Paulo Bomfim 

4 comentários:

Valvesta disse...

Boa noite amigo, deixo um tapinha nas costa e digo, entendo, como entendo, que nos resta, sonhar e ter paciencia... dias melhores viram.Peoque o sol nas ce mesmo para todos. bjs.

LOURO disse...

Olá Eduardo!
Linda postagem...fotos e soneto um
prefeito casamento!!!

Abraço,
Lourenço

Malu disse...

"Venho de longe a contornar a esmo,
O cabo das tormentas de mim mesmo."

Muitas vezes achamos que as tormentas estão fora, quando na verdade encontram-se todas dentro de nós.

Que profundo este poema.

Um beijinho, amigo

Os blogs vão sendo tanto que a gente não consegue vir sempre comentar, mas sempre que posso passo por aqui, porque gosto muito dos poemas que sensibilizam os dias.

poetaeusou . . . disse...

*
e a beleza do longe,
tão perto de ti está !
,
saudações,
,
*