sábado, 19 de setembro de 2009

PÁSSAROS E PEDRAS



Pássaros e pedras não podem caminhar juntos!
As pedras criam poeira e musgos;
os pássaros são visgos no ar.
As pedras são rudes, organizam muros;
enquanto os pássaros roçam mundos,
atravessam virtudes.
Pássaros e pedras são únicos,
jamais serão unos.
Como ciscos nos olhos, as pedras riscam;
os pássaros batem pálpebras, aliviam o olhar.
Com pedras se constroem prédios;
a partir de árvores, aprende-se a voar.
Pássaros e pedras nunca estão no mesmo lugar!
Uma pedra no ar agride o azul;
um pássaro dá asas ao sol.
As pedras no caminho lapidam-se em espanto;
os pássaros – companheiros do vento –
aliam-se ao seu instinto.
As pedras não alcançam os pássaros
e rendem-se à gravidade da Terra
caindo sobre suas próprias pernas;
os pássaros avançam acima das pedras
alcançam espermas
irradiam óvulos
e sucumbem à vida eterna!

João de Abreu Borges

2 comentários:

Nade disse...

Eduardo, os opostos... o amor, o ódio, o claro, o escuro, às vezes, cruzam os caminhos um dos outros...
Lindo poema!
Um super fim de semana a você e a sua família!
Bjs, querido!

Maria L. Bózoli disse...

Pássaros e pedras são únicos,
jamais serão unos.

Fantástico.......Parabéns!


Excelente Domingo...Beijos!