segunda-feira, 1 de novembro de 2010

NUVENS

Encantei-me com as nuvens, como se fossem calmas
locuções de um pensamento aberto. No vazio de tudo
eram frontes do universo deslumbrantes.
Em silêncio via-as deslizar num gozo obscuro
e luminoso, tão suave na visão que se dilata.

Que clamor, que clamores mas em silêncio
na brancura unânime! Um sopro do desejo
que repousa no seio do movimento, que modela
as formas amorosas, os cavalos, os barcos
com as cabeças e as proas na luz que é toda sonho.

Unificado olho as nuvens no seu suave dinamismo.
Sou mais que um corpo, sou um corpo que se eleva
ao espaço inteiro, à luz ilimitada.
No gozo de ver num sono transparente
navego em centro aberto, o olhar e o sonho.

António Ramos Rosa
 

2 comentários:

Luís Coelho disse...

Bom dia Eduardo
Mais um trabalho muito bom e que nos prende pelas formas literárias e poéticas das nuvens sopradas pelos ventos.
Desejo uma boa semana

Amor feito Poesia disse...

"Amizades são perfumes dos céus
colocados gota-a-gota em nossa vida
para andarmos sempre
com o perfume de Deus em nós."

Kedma O'liver

Saudades.....Beijos e feliz semana!
M@ria